É a única coisa que ainda posso pedir àqueles que constantemente me perguntam como vai o meu livro. Recebem como resposta alguns segundos de silêncio ou um simples sorriso envergonhado que quer dizer muito mais do que parece, explicações enfadonhas e enroladas para o todo este meu mistério e não desistem de perguntar de novo e de novo.
Apenas entendam: não é que não quero contar-los o que sei sobre meu livro. Eu quero. Muito.
Mas o forte espírito da pseudo-escritora que me domina de vez em quando faz com que a surpresa e o segredo pareçam divertidos demais para serem desaproveitados desta forma tão crua. Além do mais, qual é a graça em ler uma história que já se conhece? Aprenda a aproveitar as coisas simples: a expectativa e a curiosidade fazem com que as histórias pareçam ainda mais legais do que realmente são.
Como este elemento surpresa é indispensável para uma leitura prazerosa e, conhecendo o meu descontrole labial, é melhor que eu fique absolutamente quieta até terminar o livro todo. E isso inclui a revisão que não está nem programada.
É melhor mesmo, mas não o farei. Quem me conhece sabe que não tenho essa capacidade.
Mas é por uma boa causa, eu juro. É por isso que escrevo este post.
Preciso de ajuda com o título do bendito, acho o atual um tanto bobo. Mas não consigo me desprender dele, por motivos afetivos – afinal, veio-me pronto em um sonho, junto com todo o enredo. Foi a partir dele que toda essa loucura começou, então como posso eu desprezá-lo desta forma tão cruel?
(Entende agora toda essa demora? E se fosse este o maior dos meus problemas...)
Bom, de qualquer maneira, peço a colaboração de meu colega leitor, responda-me com toda a sinceridade. E esta resposta pode ser feita anonimamente aqui nos comentários, ou pode mesmo me falar, se preferir, assim, imensamente.
Você leria, por vontade própria, um livro chamado “O dia em que a noite não veio”?
Segunda-feira, 15 de Junho de 2009
Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009
Alea Jacta Est
Após muito tempo considerando e desistindo da ideia de fazer algo mais arriscado, tomei uma decisão... Aviso, portanto, que o blog ficará sem novidades durante algum tempo, pois estou - orgulhosamente - escrevendo um romance.
Assim que pronto, retomarei as minhas responsabilidades blogueiras.
Desejem-me sorte e obrigada.
Assim que pronto, retomarei as minhas responsabilidades blogueiras.
Desejem-me sorte e obrigada.
Sábado, 20 de Dezembro de 2008
A fonte dos desejos
Fechei meus olhos bem apertados, até que nenhuma luz pudesse entrar e segurava a moeda bem firme em minhas mãos, esquentando-a. “Faça o seu pedido,” dizia a placa “respire fundo e jogue a moeda por atrás do seu ombro direito.” A água cristalina mostrava milhares de outras moedas, que reluziam com a luz forte do sol e a grande imagem do Buda esculpida na parede atrás da fonte trazia o tom cômico á situação. Ao meu redor, pessoas riam e jogavam as moedas como se estivessem jogando pão aos patos, rindo sem controle e sem amor. Respirei fundo, era difícil escolher algo para desejar a uma fonte. E eu, logo eu, que quero tanta coisa.
“Eu sinceramente gostaria de ter uma forma de ligar e desligar tudo ao meu redor, inclusive o tempo e o ritmo do mundo. Queria poder chegar ao fim do dia sem preguiça, chorar sem ter culpa. Queria poder prever o futuro, ter tempo de analisar a situação, ter mais tempo pra pensar e também, tomar as decisões certas. Queria saber quais são as decisões certas, e por quê. Queria passar mais tempo sozinha e que os outros pudessem passar mais tempo comigo.
Queria me conhecer melhor, me surpreender mais. Queria conhecer melhor as pessoas ao meu redor, e que elas me conhecessem por completo. Queria poder ler mentes, que a minha fosse facilmente lida. Queria não ter toda essa imaginação, ou que as minhas invenções se tornassem reais. Queria que as pessoas vissem meus sonhos, queria que todas me entendessem, e perceber que elas me entendem sim. Queria ter a liberdade de não ser levada a serio.
Queria poder controlar a minha vida, meu futuro, as pessoas ao meu redor. Queria que algumas coisas desaparecessem e poder reescrever algumas histórias, mas sem perder a experiência. Queria ter completa noção de tudo.
Queira viver do talento; queria ter um talento.
Queria ter o orgulho para me arrepender e não ter essa vergonha de me ter por vencida.
Queria que compreendessem todas as minhas palavras, e que me explicassem o que elas querem dizer. Queria não ter medo, não hesitar, não mentir, não me enganar.
Queria entender o que eu quero; compreender o que é saber.
Queria algo que ninguém mais quer.
Queria sempre me lembrar que é querendo que sei o quanto estou viva.”
Terminei de fazer o meu desejo e joguei a moeda por trás do meu ombro. Ela bateu na beirada da fonte e caiu no chão, fora da fonte. Deixei-a lá mesmo.
“Eu sinceramente gostaria de ter uma forma de ligar e desligar tudo ao meu redor, inclusive o tempo e o ritmo do mundo. Queria poder chegar ao fim do dia sem preguiça, chorar sem ter culpa. Queria poder prever o futuro, ter tempo de analisar a situação, ter mais tempo pra pensar e também, tomar as decisões certas. Queria saber quais são as decisões certas, e por quê. Queria passar mais tempo sozinha e que os outros pudessem passar mais tempo comigo.
Queria me conhecer melhor, me surpreender mais. Queria conhecer melhor as pessoas ao meu redor, e que elas me conhecessem por completo. Queria poder ler mentes, que a minha fosse facilmente lida. Queria não ter toda essa imaginação, ou que as minhas invenções se tornassem reais. Queria que as pessoas vissem meus sonhos, queria que todas me entendessem, e perceber que elas me entendem sim. Queria ter a liberdade de não ser levada a serio.
Queria poder controlar a minha vida, meu futuro, as pessoas ao meu redor. Queria que algumas coisas desaparecessem e poder reescrever algumas histórias, mas sem perder a experiência. Queria ter completa noção de tudo.
Queira viver do talento; queria ter um talento.
Queria ter o orgulho para me arrepender e não ter essa vergonha de me ter por vencida.
Queria que compreendessem todas as minhas palavras, e que me explicassem o que elas querem dizer. Queria não ter medo, não hesitar, não mentir, não me enganar.
Queria entender o que eu quero; compreender o que é saber.
Queria algo que ninguém mais quer.
Queria sempre me lembrar que é querendo que sei o quanto estou viva.”
Terminei de fazer o meu desejo e joguei a moeda por trás do meu ombro. Ela bateu na beirada da fonte e caiu no chão, fora da fonte. Deixei-a lá mesmo.
Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008
Pela última vez...
Subi naquele palco sentindo as mãos frias e o calor das luzes focadas em mim. Respirei fundo e fechei os olhos enquanto as cortinas se abriam, revelando-me ao público impaciente.
Senti meus pés doerem por causa da sapatilha enquanto o cansaço me dominava. Lembrei de sorrir quando me era conveniente. Falhei em esconder o nervosismo, tentei mostrar graça.
Escondi-me por um tempo, pensei e me concentrei antes de fazer qualquer coisa.
Fiz parte da bagunça, dei bronca nas barulhentas, arrumei cabelos e fiz maquiagens de colegas.
Apavorei-me, enlouqueci, não controlei meu choro.
Senti-me no topo do mundo, servi de inspiração, ouvi aplausos e gritos histéricos. Gaguejei
Errei e me decepcionei.
Abracei quem não gosto, reclamei para quem quis ouvir. Senti orgulho e vergonha ao mesmo tempo. Fiquei feliz de poder estar lá.
Basicamente, dancei Ballet Clássico.
Senti meus pés doerem por causa da sapatilha enquanto o cansaço me dominava. Lembrei de sorrir quando me era conveniente. Falhei em esconder o nervosismo, tentei mostrar graça.
Escondi-me por um tempo, pensei e me concentrei antes de fazer qualquer coisa.
Fiz parte da bagunça, dei bronca nas barulhentas, arrumei cabelos e fiz maquiagens de colegas.
Apavorei-me, enlouqueci, não controlei meu choro.
Senti-me no topo do mundo, servi de inspiração, ouvi aplausos e gritos histéricos. Gaguejei
Errei e me decepcionei.
Abracei quem não gosto, reclamei para quem quis ouvir. Senti orgulho e vergonha ao mesmo tempo. Fiquei feliz de poder estar lá.
Basicamente, dancei Ballet Clássico.
Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2008
Coragem
Senti subir pelo o meu corpo uma onda que começou nos pés e terminou nas orelhas. Estanhei um tanto no começo, mas depois acostumei-me e tudo voltou a ficar bem.
Descobri-me de frente à porta, prestes a sair. Por um instante ou dois hesitei, ensaiei as falas, pensei de mais.
Fiz o meu melhor para disfarçar qualquer sensação de incerteza e abri o meu melhor sorriso, não a convenci com as minhas gaguejadas, mas consegui libertar-me e ir antes que tivesse mais tempo para pensar e acabasse tomando coragem para conversar.
Suspirei de alivio. Não falei nada, e nada mudou.
Agora sei que a covardia é a economia de sensações desnecessárias.
Agora sei que a covardia faz com que o mundo seja suportável.
Descobri-me de frente à porta, prestes a sair. Por um instante ou dois hesitei, ensaiei as falas, pensei de mais.
Fiz o meu melhor para disfarçar qualquer sensação de incerteza e abri o meu melhor sorriso, não a convenci com as minhas gaguejadas, mas consegui libertar-me e ir antes que tivesse mais tempo para pensar e acabasse tomando coragem para conversar.
Suspirei de alivio. Não falei nada, e nada mudou.
Agora sei que a covardia é a economia de sensações desnecessárias.
Agora sei que a covardia faz com que o mundo seja suportável.
Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008
Retardamento Emocional
Tinha a impressão que havia mais peixes do que água. Ao sol do meio dia, podiam-se ver através da água barrenta milhares de olhos prateados, que brilhavam atenciosos. De vez em quando, via-se um vulto ou dois se mexendo rapidamente, causando bolhas ou trepidações na superfície daquele lago tão pequeno. As libélulas e as moscas se aproveitavam da tranqüilidade das águas para descansar suas asas. Do lado de fora, camuflados pela grama, velhos e gordos sapos viviam com a sua cantoria perturbadora, gozando da falta de atenção dos bichos.
Não era muito grande, mas era – certamente – o lago mais bonito de todos. Era delicado e intenso ao mesmo tempo e os peixinhos acrescentavam um tom caseiro àquele ambiente tão selvagem. Até mesmo as formigas eram diferentes, amigáveis e cuidadosas e até esperavam algumas horas antes de atacar a carcaça de algum animal morto, para mostrar respeito. A quietude do lugar era o seu principal charme. A bizarra ausência de grilos fazia com que a música dos sapos e das moscas ficasse mais simpática, misturada com o farfalhar das folhas das poucas árvores que haviam por ali. Um pouco da magia do lago vinha junto com a sensação de abandono total por seres humanos, já que era quase inabitado pela raça superior. Porém, havia sim humanos, como sempre. Na verdade, neste caso era apenas um homem, inofensivo e pacifico que gostava de ficar na beira do lago e apreciar o que podia. Era o único que parecia entender aquele lugar, podendo então, frequentá-lo. Entretanto, aquela simples pessoa não era mais do que um ser humano, que se enganava achando que podia entender a natureza e a magia, pensando não fazer nenhum mal quando apenas parado ali. Mal sabia ele.
Todos os dias após o almoço, o homem pegava a sua vara de pescar, a sua mochila térmica cheia de água potável e iscas vivas, alguns livros e ia para o lago, que não ficava muito longe de sua casa. Em todas as tardes o velho descia a ladeira, passava pelo meio de uma floresta mal formada, pisando em folhas secas e poças d’água, caminhando bastante até chegar à área do lago. Sempre que ele chegava lá ele respirava fundo e sorria para tudo aquilo, orgulhoso de poder estar em um lugar que ele não construiu, mas que fazia parte de sua alma do mesmo jeito. Fazia sempre o mesmo caminho e colocava a sua cadeira sempre no mesmo lugar.
Os peixes já ignoravam a isca que ele jogava na água, de tão acostumados que estavam daquela rotina. Os sapos sabiam que não deveriam se aproximar do lugar onde o homem costumava colocar a sua cadeira e as libélulas e moscas contornavam a trajetória da vara de pesca mesmo quando ela não estava lá. As formigas se continham no outro lado do lago para não serem pisoteadas e até mesmo a grama já desistira de crescer por todo o caminho que o homem fazia.
Foram-se mais de trinta anos com a mesma rotina. Era tudo um vício, uma dependência fortíssima. A carência enlouquecia e, sem ter o lago a sua frente, o homem adoecia. Adoecia de corpo e alma; seu coração palpitava e começava a sentir uma pontada bem onde a saudade divide lugar com a razão. Sua moral se abalava um tanto e o pobre velho desmaiava, sem força alguma.
O lago trazia, de fato, uma sensação revigorante, que até nauseava os desavisados. Sua brisa fortificava a memória e imortalizava a sensações. Era um formigamento que subia dos dedos dos pés até os fios de cabelo.
Era impressionante.
No entanto, o humilde homem nunca tinha parado para notar se algo havia mudado, apenas pelo simples fato de achar que era desnecessário, entanto o homem não sabia que o necessário está em algum lugar entre o imaginário e o real.
E como era esperado desde o começo da história, o lago foi perdendo a sua magia, enquanto os bichos começavam a agir da forma que deveriam, mordendo iscas, matando, atacando.
O velho, sendo o que era, só achou que havia algo errado quando sentiu que o formigamento havia diminuído notavelmente, mas não, não acho nem um pouco bizarro quando os peixes morderam as iscas ou quando grilos apareceram com a sua cantoria. E foi quando ele, sentado de frente ao lago, respirou fundo e não sentiu nada que tudo ficou claro.
Sim, ele adoeceu. Passava mal durante os dias e através das noites, sem encontrar remédio ou cura. Nada conseguia aliviar aquele desespero. Então, a “triste hora do fim se faz notória”, enquanto o perdão é inconcebível e a culpa é solteira.
O homem sabia muito bem que tudo aquilo era culpa dele – sem eufemismos ou disfarces, era a óbvia culpa – então, enquanto enfraquecia lentamente sozinho e triste, chorava lágrimas de decepção, e se sujava com o remorso que o consumia.
Contudo, já era tarde.
Foram-se mais de trinta anos com a mesma rotina. Era tudo um vício, uma dependência fortíssima. A carência enlouquecia e, sem ter o lago a sua frente, o homem adoecia. Adoecia de corpo e alma; seu coração palpitava e começava a sentir uma pontada bem onde a saudade divide lugar com a razão. Sua moral se abalava um tanto e o pobre velho desmaiava, sem força alguma.
O lago trazia, de fato, uma sensação revigorante, que até nauseava os desavisados. Sua brisa fortificava a memória e imortalizava a sensações. Era um formigamento que subia dos dedos dos pés até os fios de cabelo.
Era impressionante.
No entanto, o humilde homem nunca tinha parado para notar se algo havia mudado, apenas pelo simples fato de achar que era desnecessário, entanto o homem não sabia que o necessário está em algum lugar entre o imaginário e o real.
E como era esperado desde o começo da história, o lago foi perdendo a sua magia, enquanto os bichos começavam a agir da forma que deveriam, mordendo iscas, matando, atacando.
O velho, sendo o que era, só achou que havia algo errado quando sentiu que o formigamento havia diminuído notavelmente, mas não, não acho nem um pouco bizarro quando os peixes morderam as iscas ou quando grilos apareceram com a sua cantoria. E foi quando ele, sentado de frente ao lago, respirou fundo e não sentiu nada que tudo ficou claro.
Sim, ele adoeceu. Passava mal durante os dias e através das noites, sem encontrar remédio ou cura. Nada conseguia aliviar aquele desespero. Então, a “triste hora do fim se faz notória”, enquanto o perdão é inconcebível e a culpa é solteira.
O homem sabia muito bem que tudo aquilo era culpa dele – sem eufemismos ou disfarces, era a óbvia culpa – então, enquanto enfraquecia lentamente sozinho e triste, chorava lágrimas de decepção, e se sujava com o remorso que o consumia.
Contudo, já era tarde.
Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008
A memória eterna
Já era fim da tarde. Ela tinha se levantado rápido demais da cadeira, e por isso, tudo girava. A pouca luz que iluminava o estacionamento era suficiente apenas, as lâmpadas dos postes não estavam acesas ainda e a noite se aproximava mais rápido do que nunca. As árvores estavam paradas por causa da falta de ventos daquela tarde de verão, e os pássaros se reuniam nos fios elétricos suspensos por toda a rua.
Não havia nenhum barulho ou movimento. Estava tudo tão bonito.
Ela fechou os olhos e desejou, com toda a sua vontade, que aquele momento pudesse durar para sempre. Lágrimas quase caíram dos seus olhos quando viu que os pássaros iam embora, um por um, enquanto um avião passava em cima de sua cabeça, fazendo o maior estardalhaço.
Bom, na memória ele dura, ela pensou e foi se deitar.
Não havia nenhum barulho ou movimento. Estava tudo tão bonito.
Ela fechou os olhos e desejou, com toda a sua vontade, que aquele momento pudesse durar para sempre. Lágrimas quase caíram dos seus olhos quando viu que os pássaros iam embora, um por um, enquanto um avião passava em cima de sua cabeça, fazendo o maior estardalhaço.
Bom, na memória ele dura, ela pensou e foi se deitar.
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